
Rio de Contas viveu no último fim de semana um evento histórico. No sábado, o município recebeu simultaneamente, a FlirContas, o Festival Literário de Rio de Contas, o 1º Encontro dos Pontos e Pontões de Cultura do Macro Território Centro Sul E o 3º Forte Cultura – Emergência Cultural da Chapada Diamantina, realizados de 27 a 29 de novembro, reunindo artistas, escritores, mestres da cultura, lideranças tradicionais e comunidades da Chapada e de diversos Territórios de Identidade. Vale também ressaltar as presenças da presidenta da FUNARTE/MINC, Maria Marighela, do Conselheiro Nacional de Cultura, Shaolim Barreto, das representações do Comitê de Cultura da Bahia, Max Oséas e Biatriz Bastos e da Coordenadora de Articulação e Transversalidade da SUDECULT – SECULT BA, Laís Abreu.
Depois das etapas em Itaitê (07/11) e Bocaina, em Piatã (14/11), o projeto chegou à sua 3ª edição com programação integrada à FlirContas e o 1º Encontro dos Pontos de Cultura do Macro Território Centro Sul, foi fundamentais, reforçando debates sobre clima, território, identidade cultural, memória e políticas públicas. A Câmara Técnica de Cultura da Chapada Diamantina aproveitou o encontro para alinhar diretrizes e planejar as próximas ações do ciclo.
Protagonismo local no centro do debate
A anfiriã Rosa Griô, Coordenadora de Cultura Municipal e articuladora cultural ressaltou a potência do encontro
“O 3º Forte Cultura, – Emergência Cultural realizado em parceria com o FlirContas e o 1º Encontro dos Pontos de Cultura do Macro Território Centro Sul, foi fundamental.
Reunimos atividades que fortalecem nossa cultura, nossas redes e o território.
Essa rede, embora às vezes invisível, é palpável: se não estamos juntos, nada se constrói.
A participação da Viver Cultura e Meio Ambiente/ Ponto de Cultura Abassá de Oxalá enriqueceu o evento e ajudou a fortalecer o Macro território Centro Sul e a Chapada Diamantina por meio da Câmara Técnica de Cultura do CODETER.”

Rosa Griô, Coordenadora de Cultura Municipal – Foto: Lucas Assunção
O espetáculo “Ibanujé – O Corpo como Memória Ancestral”, com Toni Silva, foi um convite a sentir e celebrar a nossa ancestralidade.

Toni Silva – Coreografo e idealizador do espetáculo “Ibanujé – Foto Lucas Assunção
Apresentação cultural e artística que fez a abertura da programação do 1º Encontro dos Pontos e Pontões de Cultura e do 3º Forte Cultura em Rio de Contas. Foto: Lucas Assunção
Monica Andrade … Pegar a estrada para Rio de Contas foi voltar a andar por lugares que recentemente havia passado, indo para Piatã/Bocaina, e novamente me deixar inundar pela imensidão. voltei a me lembrar da mineradora no topo da Serra, a rugir e a ameaçar, e, mais uma vez, ao subir e descer serras, compreender os motivos para a incursão nos terrenos de luta, considerada po muitos, “insana”, “impossível”. A chegada, em meio à Flircontas, foi como encanteria de quem vê a história ser contada, derramada pelos olhos de quem tece esperança, através do grito atrevido das artes e das letras: Apesar de você, devorador do tempo, das serras, dos símbolos, dos modos de bem-vive, nós existimos e resistimos! Nossa arma é a arte-literatura, o conhecimento, a ancestralidade sempre viva nas ruas da cidade e na memória do povo”.
Rio de Contas foi palco de dança, de ritmo, de esperança e do Encontro entre os Pontos e Pontões de cultura do Macro Território Centro Sul. A festa foi tanta que deixou em todos o gostinho de querer ver mais, falar mais, unir mundos. A junção dos pontos de cultura, nos deram ideia de rede, e das potencialidades em aberto, processos de comunicação e estratégias que precisam ser estabelecidas para que as ações em casa município/ comunidade se fortaleçam.

Monica Andrade / Emilio Tapioca e Vanusia Santos – equipe executora do Projeto 3ª Edição do Forte Cultura – Foto: Lucas Assunção
O artista Ioia Brandão e no RTC – Representante Territorial de Cultura da SECULT – BA destacou a importância de valorizar quem produz cultura dentro da própria Chapada:
“A Chapada tem um potencial incrível, mas nem sempre é valorizada. Muitas vezes somos só cenário de grandes eventos. A 3ª Edição do Forte Cultura vem justamente para garantir o protagonismo local e discutir emergência climática, cultura e território.”

Iôia Brandão – poeta cantador – Foto: Lucas Assunção
Comunidades ameaçadas e construção de rede
Pedro Jatobá, da Universidade Livre da Chapada de Diamantina e da Produtora Colaborativa da Chapada, reforçou o papel do evento:
“Esse projeto ajuda a mostrar toda a riqueza cultural da Chapada num momento em que comunidades estão ameaçadas por grandes organizações que querem explorar o território. A plataforma Rede Cultura Viva vai permitir que essas comunidades divulguem seus mestres, seu turismo de base comunitária e sua produção cultural.”

Pedro Jatobá – Coordenador da Universidade Livre da Chapada Diamantina – Foto: Lucas Assunção
Plataforma Rede Cultura Viva Chapada Diamantina:
rede: https://cultura.chapada.ba
Saberes tradicionais e memória da Chapada
O Cacique Juvenal Payayá destacou o impacto da ação:
“Estamos caminhando pela Chapada ouvindo histórias, rezas, contos e reminiscências. Isso é maravilhoso. Eu vim com meus livros para trazer algo da Chapada, mas também para aprender e ampliar esse legado. O Projeto Emergência cultural nos incentiva a buscar ainda mais cultura para a Chapada.”

Cacique Juvenal Payayá – Mestre/ Doutor pela Universidade Estadual da Bahia – Foto: Lucas Assunção
A força política e simbólica da cultura
A presidenta da Funarte, Maria Marighella, trouxe uma visão profunda sobre a relação entre cultura e território:
“Cultura nasce da experiência do território. Ela cria laços de solidariedade, produz riqueza e fortalece a comunidade. É pela cultura que povos e territórios historicamente violentados conseguiram se afirmar. Celebramos políticas culturais que defendam a terra, os territórios, a justiça e a liberdade.”
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Maria Marighella – Presidenta da FUNARTE/ MINC – Foto: Lucas Assunção
Para Laís Abreu – Coordenadora de Articulação e Transversalidade da SUDECULT – SECULT BA – Este grande Encontro da Cultura Viva traz consigo a pujança da Política Territorial que estamos construindo no estado da Bahia, onde identidades e diversidade culturais dialogam, interagem e expressam a riqueza cultural baiana, fortalecendo as redes nos Territórios.
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Laís Abreu – Coordenadora de Articulação e Transversalidade da SUDECULT – SECULT BA – Foto Virginia Trindade
Andréa Mostaço…”Para mim participar da 3ª edição do Forte Cultura significou assistir à edificação dos alicerces que tornam possível efetivar a territorialização da cultura, de verdade, como política de Estado, não de governo.Afinal, como já aprendido na fábula, se a casa não é sólida, qualquer vento contrário é capaz de derrubá-la.
Para o povo que faz cultura, que está no meio de povoados rurais assombrados e ameaçados pelas promessas do suposto“desenvolvimento” trazido pela mineração, pelas chamadas “energias renováveis”, pelos quase onipresentes pivôs de irrigação do agronegócio ou pelo turismo de massa, o que significa “exercício dos direitos culturais” quando a própria democracia ainda é uma miragem?
Ainda que pequeno em escala diante de um território imenso como a Chapada Diamantina, tenho certeza absoluta, porque vivi, de que o 3º Forte Cultura – Emergência Cultural foi um divisor de águas no que se refere à territorialização da cultura e na luta pela vida dos territórios, sem os quais não há qualquer possibilidade de cultura.
Não por acaso, foi justamente o que o 1º Encontro dos Pontos e Pontões de Cultura do MacroTerritório Centro Sul e o 3º Forte Cultura trouxeram. Com muito empenho, dedicação e compromisso dos idealizadores e realizadores, seguiu a máxima do mestre Eduardo Galeano, “a primeira condição para mudar a realidade consiste em conhecê-la”.
Por isso, por tudo isso, Viva o Forte Cultura! Viva a Política Nacional Cultura Viva! Viva os que vieram antes de nós e que se fazem presentes na cultura que vem debaixo do barro do chão! Viva o Forte Cultura!
Para Vanusia Santos da Coordenação de Articulação do Projeto 3ª Edição do ForTe Cultura – Emergência Cultural, este vem cumprindo um papel importante no fortalecimento da Câmara Técnica de Cultura do CODETER – É pela via da cultura que nos fazemos presentes, ativos e resilientes no exercício pleno da cidadania cultural!

Equipe executora da 3ª Edição do Forte Cultura – Emergência Cultural – Câmara Técnica de Cultura do CODETER – Foto Lucas Assunção
O Coordenador do Projeto 3ª Edição do Forte Cultura – Emergência Cultural, Emílio Tapioca enfatiza que ” A Integração com a FlirContas e o 1º Encontro do Pontos de Cultura do Macro Território Centro Sul – Projeto Tecendo Redes – foram essencias para o exito desta etapa, a quem agradecemos, na pessoa de Rosa Griô e toda equipe organizadora pela parceria e comprometimento. Neste contexto, reafirma a frase de Célio Turino, um dos idealizadores do Programa Cultura Viva , de que “Os Pontos de Cultura e os movimentos culturais se encontram para construir a “Cultura Viva” por meio de uma rede colaborativa e interconectada” se fez presente com a participação dos diversos Pontos de Cultura dos Territórios de Identidade da Bahia”
A FlirContas reuniu autores locais, mesas de debate, lançamentos, oficinas e apresentações, reforçando o papel de Rio de Contas como polo cultural da Bahia.
Dentro da Programação do 1º Encontro dos Pontos e Pontões de Cultura do Macro Território Centro Sul e o 3º Forte Cultura – Emergência Cultural da Chapada Diamantina também vale destacar a presença de Shaolim Barreto, Conselheiro Nacional de Cultura – Representação Nordeste que fez uma fala precisa acerca da aprovação do Plano Nacional de Cultura sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva recentemente

Shaolim Barreto, Conselheiro Nacional de Cultura – Foto Virginia Trindade
Durante a programação, o público acompanhou também a apresentação do Grupo de Cultura Abassá de Oxalá de Andaraí, que trouxe ao festival expressões tradicionais, manifestações da cultura popular valorizando memória, corpo e ancestralidade — uma das iniciativas de maior impacto dentro da feira.
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Grupo de Cultura Abassá de Oxalá de Andaraí – Foto Lucas Assunção
Projeto segue com escutas e oficinas
Apesar da etapa de Rio de Contas marcar um momento-chave, o Emergência Cultural não se encerra aqui. A Câmara Técnica de Cultura seguirá nas próximas semanas com:
• escutas aprofundadas em cada comunidade participante;
• levantamento de identidade, territorialidade e diversidade cultural local;
• oficinas de uso da Plataforma Rede Cultura Viva Chapada Diamantina, para que as comunidades possam publicar seus conteúdos e fortalecer sua presença digital

Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e teve apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal. A iniciativa também foi contemplada pela Política Nacional Cultura Viva.
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Que evento belo e poderoso! Viva a Cultura Popular ! Viva a cultura do nosso território Chapadeiro!!! Orgulho de fazer parte disso tudo. Pena não poder estar lá.
Kátia Borges, tu estava lá e muito bem representada ´por todos nós!!!!