Educação como liberdade: tecnologia, território e equidade social no uso do QGIS

No dia 27 de abril de 2026, teve início na UNEB — Campus II, localizado em Alagoinhas, Bahia, no Departamento de Ciências e Tecnologia (DCT), o curso de Produção de Mapas com QGIS, com foco na elaboração de mapas voltados para estudos territoriais, ambientais e políticos.O curso é realizado como atividade de extensão vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Modelagem e Simulação de Biossistemas, com carga horária total de 40 horas, distribuídas em 20 encontros presenciais de 2 horas cada, realizados na Sala 9 do Campus II.A iniciativa é orientada pelo Professor Dr. Alarcon Matos e ministrada pelos seguintes alunos do programa:Cledson Souza — Engenheiro Sanitarista e Ambiental, especialista em georreferenciamento e mestrando do programa; Julia Peixoto – Engenheira Sanitarista e Ambiental e mestranda do programa; Vinícius Calisto — Biólogo e mestrando do programa de Pós-Graduação em Modelagem e Biossistemas da UNEB. Reunindo estudantes, pesquisadores e integrantes da sociedade civil, entre eles, participantes do PIMM Produção e Eventos, coletivo cultural reconhecido como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, sob o ID Cultura Viva nº 1637639.A proposta do curso vai além do domínio técnico de uma ferramenta digital. O QGIS, enquanto plataforma livre e acessível, se apresenta como instrumento estratégico para leitura crítica do território, possibilitando a produção de mapas que contribuem diretamente para o entendimento das dinâmicas ambientais, sociais e econômicas. No contexto do território Litoral Norte e Agreste Baiano (LNAB-18), essa formação ganha ainda mais relevância ao dialogar com os desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas e os compromissos assumidos na Agenda 2030.No entanto, o potencial do QGIS não se limita ao mapeamento ambiental. Sua utilização pode ser ampliada para análise da execução de políticas públicas, permitindo visualizar, por exemplo, como programas como a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), iniciativas de incentivo ao esporte e ações voltadas à educação básica estão sendo implementados nos territórios. Trata-se de uma ferramenta que transforma dados em evidências, fortalecendo a capacidade da sociedade de compreender, questionar e propor melhorias nos processos de gestão pública.Ao democratizar o acesso a esse tipo de tecnologia “gratuita e de código aberto”, cria-se uma ponte concreta entre conhecimento técnico e transformação social. A apropriação dessas ferramentas por comunidades periféricas, povos de terreiro, comunidades quilombolas, ribeirinhas, grupos de mulheres e coletivos culturais representa um avanço significativo na construção da autonomia social, econômica e política. O conhecimento deixa de ser concentrado e passa a circular como instrumento de emancipação.Nesse sentido, a educação superior cumpre um papel fundamental ao dialogar com a educação de base e com os territórios, rompendo barreiras históricas de exclusão. Quando sujeitos historicamente marginalizados acessam espaços formativos como este, não estão apenas aprendendo uma tecnologia, estão ampliando seu lugar de fala, de decisão e de produção de conhecimento.A experiência vivenciada neste curso reafirma que a educação é, de fato, a verdadeira ferramenta de liberdade. Ela atua como mecanismo de reparação social, enfrentamento ao racismo estrutural e promoção da equidade. Ao integrar tecnologia, território e participação social, iniciativas como essa demonstram que é possível construir caminhos mais justos, onde o acesso ao conhecimento se converte em oportunidade, dignidade e transformação real da sociedade.Dessa forma, reforça-se a importância das políticas públicas e do compromisso das instituições acadêmicas em fomentar e expandir o uso de plataformas livres e acessíveis, garantindo que cada vez mais pessoas possam não apenas compreender o mundo em que vivem, mas também transformá-lo a partir de seus próprios territórios.

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Imagens: UNEB (equipe de realização do curso)

Materia: CONESABR

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